Estou de passagem neste mundo,

Mas deixo aqui o registro de minhas palavras.

Eu sou o peregrino do tempo.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Com efeito, sorriso de leitor aos olhos do autor é carícia melodiosa com cheiro de bombom. É a tal da ambrosia.

Rachel de Oliveira // Rafael Andrietta disse...

Algo parecido aconteceu comigo [em referência ao post da Suelen]. Na verdade é diferente, mas parecido, rss. Certo dia, na Bienal do Livro, eu e minha namorada, Rachel, vimos um estranho homem de curiosas vestes circulando pelo estande da Novo Século, e pelos corredores da Bienal. Acreditávamos ser um jogador de RPG ou algo do tipo, o seguimos por um tempo para ver se descobríamos, e nada. A curiosidade nos tomou a fundo... Enfim, o tempo correu. Fomos ao "Encontro Prática de Escrita" da Unicsul, e lá estava ele, só podia ser. Ficamos fascinados com sua semelhança ao Marilyn Manson (o qual amamos) e escrevia sobre vampiros, viajava em sonhos, devaneios... Pelos deuses, quem era aquele cara? Tínhamos que conhecê-lo, ele tem que ser nosso amigo, rs, pensávamos. E a estranha quântica fez acontecer e feliz ficamos ao conhecê-lo e ver quão simpático ele é! Um verdadeiro vampiro que fascina e encanta os fãs. Devorei seus dois livros e fiquei apaixonado por um vampiro chamado Luar. Hoje espero ansioso pelo próximo, que não tardara em chegar! Por pouquinho não consigo um espacinho na Guerra dos Vampiros, mas não tem problema, ter participado já foi maravilhoso, =D. Um Nosferatu que será lembrado para sempre na literatura fantástica.

Seu fã Rafael Andrietta.
***
É com muito carinho que recebo suas palavras, Rafa. Você e a Rachel sabem muito bem que amei vocês desde o dia que pus os olhos nos dois. Saber que vocês me viram na Bienal e depois me acharam parecido com o Manson (que eu também adoro) me deixa encantado. Você é ótimo com as palavras. Terá uma grande futuro para você na lida das letras se você assim o quiser, se dedicar e persistir. Não faltarão oportunidades para publicarmos juntos.

Um beijo especial para os dois!
Kizzy

sábado, 16 de maio de 2009

Daqui até a eternidade

Sou mais viver uma vida curta e intensa, do que uma longa e pálida. Tem gente que vai chegar à velhice esquecido num asilo, sem feitos para se orgulhar, arrependido, invejando a juventude dos corajosos. Tem gente que vai chegar à velhice esquecido num asilo e ninguém jamais saberá quem foi. Todos nós morremos. Uns mais cedo que outros, mas todos nós morremos. E morrer sem ter vivido é a morte. Cada um é dono de si, e cabe a cada um escolher a vida que leva. Cazuza escolheu ser ele mesmo, escolheu o caminho da felicidade. Aquele que souber olhar além da superfície, olhar em seus olhos, verá a mesma força de outrora. Uma satisfação inenarrável e uma felicidade plena de ter vivido uma vida sem arrependimentos. Medíocre é quem desconhece as maravilhas da vida, esses frustrados invejosos não me incomodam, eu os desprezo, porque jamais entenderão o significado de minhas palavras. Nunca serão nada e passarão despercebidos pelo mundo. É o tipo de pessoa que chamo de peso de papel.
IMPERDÍVEL, E AINDA DÁ TEMPO DE SE INSCREVER
II Encontro de Prática de Escrita: leituras, feitura e publicação:

Organização: Nelson de Oliveira e Claudio Brites.

Autores veteranos se encontram para falar do mercado editorial e da prática de criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica, romance e outros gêneros textuais, numa conversa cheia de idéias e dúvidas, começos e fins. O encontro é organizado pelo Grupo Labmind em parceria com a universidade Cruzeiro do Sul e está em sua segunda edição.

Mesa 1 - 19h30 - 21h
Mercado Editorial

Edson Cruz
Marcelo Maluf
Paulo Ferraz
Nelson de Oliveira

Mesa 2 - 21h15 - 22h30
Prática de Criação Literária

Fernando Marques
Luís Marra
Marne Lucio Guedes
Marcelino Freire

Onde:
Universidade Cruzeiro do Sul - Campus Liberdade, R. Galvão Bueno, 868.
Quando:
19 de maio de 2009, das 19h30 até 22h30.
Entrada Franca

inscreva-se: labmind@labmind.com.br

sexta-feira, 15 de maio de 2009


A ENTREVISTA E O LIVRO


Suelen ^^ disse...

Oi Kizzy

Bom, eu não vim aqui para comentar sobre o post que colocou, mas sim contar algo que aconteceu comigo. Não sei nem o que dizer, se foi coincidência ou acaso. Vou parar de enrolar. Em algum dia que não me lembro estava assistindo tv e vi uma entrevista de um rapaz no Jô. A entrevista já tinha começado então não sabia o nome e nem o que fazia, com o tempo entendi que era escritor e que gostava de vampiros, detalhe: me interessei , só que eu acabei dormindo antes de terminar a entrevista e então acabei não pegando o nome do livro e nem o nome do autor, isso foi em 2006 ou 2007 se não me engano.

Caiu no esquecimento por um tempo até que no meio de 2007 eu me lembrei da entrevista que vi no Jô e que fiquei curiosa pra saber quem era a pessoa, entrei no site do Jô e procurei um tempão e não achei nada que fosse parecido com você kkkk ai deixei pra lá afinal ia ser tão difícil encontrar uma entrevista no Jô depois de tanto tempo =/. Quando chegou no final de 2007 eu estava num shopping daqui de Salvador fazendo hora pra pegar carona com meu pai e então resolvi entrar em uma livraria e comecei a ver os livros que tinha e passei por uma coluna de livros onde vi um que tinha uma capa interessante e nele estava escrito Clube dos Imortais a Nova quimera dos vampiros, deixei o livro de lado e fui procurar outros que me interessassem visto que não tinha achado resolvi voltar no que havia chamado minha atenção, peguei o livro e comecei a ler. Noooooossaaa! aquilo me prendeu de um jeito que quando fui ver estava perto do meu pai chegar, peguei o nome do livro o preço e fui pra casa, chegando em casa contei a minha mãe sobre o livro e acabei pedindo de aniversário.

Bem, ela acabou me dando no Natal. Feliz da vida comecei a ler o livro, detalhe: depois de um monte de páginas fui ver quem tinha escrito o livro e fui ver na capa o nome do autor ai eu falei pra mim isso não é suficiente autor totalmente desconhecido deve ter algo atrás, menino quando vi sua foto no livro quase tive um ataque, eu não conseguia acreditar era algo muito louco, como, mas como isso pode ter acontecido??? eu estava procurando o livro, o autor e simplesmente ele apareceu assim do nada O.O

Isso aconteceu no final de 2007 e desde lá venho ensaiando como te contar isso já tinha vindo no seu blog outras vezes, mas não sabia se contava porque eu achava que você não iria acreditar, mas no Natal de 2008 o meu namorado me deu de presente O diário da sibila rubra e eu não li na época e ele me cobrava isso até que mês passado ele me perguntou por que eu não lia, e eu disse que pra mim ler um livro sobre vampiros não é só pegar e ler eu tenho que está preparada pra receber as informações que vou receber daquele livro, ele disse pra mim um "ata" do jeito "hein??" kkkk.

Mas só eu sei o quanto me envolvo com livros e penso dessa forma livros de vampiro pra mim eu tenho que estar preparada, não por medo, mas para abrir portas pra novas histórias e idéias e energias. Uma vez um atendente da loja Profecias me disse " Compre um livro pra você para que você não pegue energias de outras pessoas" ele questionava o fato de pegar livros na internet, e eu não levei a sério achei que era conversa dele, mas de alguns anos pra cá acabei acreditando nele "eu hein???" Bom Kizzy era isso que tinha que te contar espero que goste dessa verdadeira história maluca que contei.

Bjs

P.S. ah to lendo o diário da sibila rubra
comecei ontem kkkk

***


Suelen

Fiquei boquiaberto com sua história, serio. Coisas assim já aconteceram comigo. Quero dizer, como aconteceu com você, de ver uma coisa, me interessar, perdê-la de vista e, de repente, tê-la nas mãos.

Mas ouvir uma história dessas sendo meu livro a "coisa" da história, me soa engraçado, insólito, até surreal eu diria.

Muito obrigado por compartilhá-la comigo, adorei saber a história. Adoro quando os leitores compartilham delas comigo, quando dividem as emoções da leitura. Quando escrevi, eu estava só. Quando vocês me lêem, estou em boa companhia.

Penso como você sobre os livros, eles nos chamam. Às vezes compro um livro que eu queria tanto ler, mas aí o pobre fica séculos apodrecendo na solidão da estante, rs. Tem uma hora certa para lê-los, já que temos de estar dispostos a nos entregar com gosto na leitura. É uma entrega. Uma entrega completa.

Um beijo
Kizzy

terça-feira, 12 de maio de 2009

momento oscar wilde

"A moral moderna consiste na aceitação das normas da época. Eu acho que para um homem culto aceitar as regras da sua época seja a mais grosseira das imoralidades."

domingo, 10 de maio de 2009

Espaço cultural Terracota será inaugurado em grande estilo!

Os escritores e mestres em artes visuais, Marcelo Maluf (Unesp) e Daniela Pinotti (PUC) ministrarão cursos de arte e criação a preço módico e com certificado cedido pela Universidade Cruzeiro do Sul.

O tema deste curso são os Movimentos da Arte Moderna e o processo criativo dos seus mais representativos artistas. Através da teoria e da prática, o aluno poderá conhecer a técnica e o pensamento criativo de grandes artistas deste período como Van Gogh, Picasso, Miró, Mondrian, Magritte, Marcel Duchamp, entre outros.

Curso:

MOVIMENTOS DA ARTE MODERNA:

HISTÓRIA E PROCESSOS DE CRIAÇÃO


OBJETIVO:O curso será uma introdução à história da Arte Moderna e seus processos de criação, por meio das teorias dos movimentos de vanguarda e de suas propostas criativas, dando ênfase aos aspectos estéticos e psicológicos da produção desses artistas.


METODOLOGIA:O método de trabalho focará na história da arte e na teoria desses movimentos e destacará os seus principais artistas. Dinâmicas de criação, individuais e em grupos, ajudarão os alunos a compreenderem esses movimentos.


PÚBLICO ALVO:Professores, estudantes de arte, pessoas interessadas em ampliar conhecimentos em artes visuais e história da arte.


CERTIFICADO: Será conferido pela Universidade Cruzeiro do Sul e o Grupo Labmind.


MÓDULOS: serão 4 encontros:

1. O que é modernismo? As vanguardas.

2. Pós-impressionismo e Expressionismo.

3. Cubismo e Arte Abstrata.

4. Dadaísmo e Surrealismo.


Início: Quartas-feiras. Das 19h às 22h

Duração: 4 semanas.Início: 3 de junho

Carga horária: 12 horas

Local do Curso: Espaço Cultural Terracota - Avenida Lins de Vasconcelos, 1886 - São Paulo - SP.

Inscrições: Tel: 2645-0549 ou labmind@labmind.com.br

Investimento total: R$150,00


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vá pro Inferno!



Vá pro Inferno!


é lá que comemorarei meu aniversário!

NESTA SEXTA, 08 DE MAIO


Inferno Club
R. Augusta, 501 - Consolação - São Paulo - SP
(proibido para menores)

quinta-feira, 30 de abril de 2009



A importância das palavras
por Kizzy Ysatis



“Kizzy, sua matéria contém palavras muito difíceis para o leitor do nosso jornal”


Foi o que me disse a colega da classe do 3º ano de jornalismo. Ela disse que eu tinha de escrever de um jeito mais simples (em outras palavras: de um jeito mais pobre) para o povão entender.


Na terceira série do primário usávamos muito a palavra aloprado. “Professora, fulano está me aloprando” (ao digitar agora, nem meu processador de texto conhecia esta palavra). Palavra que caiu em desuso, no esquecimento. Mais uma que se perdeu. Muitos devem conhecê-la só do filme O professor aloprado. Aloprar é amalucar. E estou amalucado com a falta de cérebro no meio de formação acadêmica. Desgostoso com os colegas e com o sistema. E eu escolhi me formar jornalista pelo amor às palavras e pelo uso delas na profissão do jornalista.


Se queremos educar alguém para que avance e se supere, há de se impor certos desafios, pequenos, e elevá-los gradualmente. Por exemplo, se um objeto está um pouco alto, ou distante, em relação aquele que o deseja, este, por força da vontade, irá se deslocar para alcançá-lo. De modo que aprenderá onde e como consegui-lo. Se cada vez eu colocar o objeto mais próximo do requerente, este jamais o alcançará com as próprias pernas e estará condicionado a ser cada vez mais burro, fraco e incapaz.


O escritor-autor, aquele que é artesão e trabalha com a ferramenta da palavra, coleta cuidadosamente do cabedal do cérebro, a palavra mais adequada para engendrar sua criação, despreocupado com quem vai entendê-la. Aquele que não entendeu que se desloque atrás de seu significado. Desse modo o escritor-autor, mestre do Belo Ofício, ajuda mais a sociedade do que o escritor-operário, pois este empobrece a língua e fragiliza a nação. O povo, o rebanho, já é por demais estúpido, e o jornalista, cheio da ética, cheio de arrogância (porque arrogância é se gabar pelo que não é capaz) cheio da verdade, cheio de demagogia e hipocrisia, este jornalista é o grande responsável pela ignorância do povo.


O estudante de jornalismo é outro burro, porque é acadêmico e acadêmico tem a natureza do papagaio, de repetir o que outro disse. Não tem voz própria. Mesmo assim os jornalistas se exibem por mais que são capazes. Me tolhem a todo tempo, “Kizzy, você se acha”. Para mim essa é a visão do invejoso. Desculpe, eu me orgulho, é diferente. Notem como o tratamento era um quando não me apresentei como escritor e como se tornou outro, quando descobriram. Eu abro a boca e me tolhem num misto de complexo de inferioridade com outra coisa mais baixa: “Nós não temos o Rachel de Queiroz, mas estamos dois anos na sua frente”. Será? Eu entrei direto no 3º ano porque já tinha feito os dois anos em outra Universidade (uma grande e internacional Universidade, diga-se de passagem), eu não pulei dois anos. Não tem ninguém na frente de ninguém nesse sentido. Isso pode ser chamado de argumento racional?


Os acadêmicos são incapazes de criar e invejam a mente criadora. Eles só repetem o que outros falam lá atrás, são fantoches, são títeres. A colega de classe diz que o povo é burro, mas é ela que é. Tem um repertório paupérrimo, e por preguiça e inanição de intelecto, alega que ajuda o leigo usando aquele micro repertório de palavras. Sempre as mesmas palavras, numa repetição infeliz e de pouco significado e profundidade. A fealdade se sobrepõe a todas essas cosias e a massa, que já é disforme e feia, segue ainda mais feia e disforme. Como disse, os acadêmicos só sabem seguir as regras de outro burro de lá longe. “Tem de escrever de um jeito mais simples, pois quem escreve ‘difícil’ é o pseudo-intelectual que quer posar de inteligente”, essa é a nova regra. Regra? Isso sim é senso comum. Nova? Essa é a regra nos últimos vinte anos ou mais. Quem criou isso foi o burro que não entendeu o que estava sendo dito. Complexo de inferioridade. Essa regra do coloquial. Aff!... Afferson! A contradição se desenha no pensamento de que temos de ter um diferencial, mas querem que eu escreva igual a todo mundo?


“Kizzy, você escreve como um romântico”, disse meu mestre.

“Mas escrevo igualzinho a um romântico?”

“Não igualzinho porque você é desta época e tem outra visão”

“Então escrevo de um jeito novo, uma reinvenção do romantismo, é isso, um renascimento, um segundo renascimento”

“Não é pra tanto... mas, Kizzy, ninguém mais escreve assim”

“Mas você acha bom que eu escreva como todo mundo?”

“Hummm, tem razão. Escreva como você escreve, Kizzy Ysatis. Você é o único que escreve desse jeito. Só você escreve como você escreve, tem estilo próprio. Isso está em falta hoje em dia”

Aí vem a colega e me diz: “Você tem que escrever de um jeito mais simples pro o povão entender”. É assim se produz uma geração mais burra que a outra, colega. Você não sabia que quando uma nação é dominada, a dominadora, como primeira providência de conquista, exige que se fale a língua do império. É porque quando uma nação perde a língua, perde a identidade.


Já disse e não me canso de dizer, não é a língua que deve se curvar à nação ignorante, mas essa é quem deve fazer por merecê-la. Puxa vida, de quê adianta termos como língua a última flor do Lácio, a mais bela e rica língua, se somos falantes retardados, não usamos nem um décimo de tamanha riqueza? Se essa é nossa força, porque a substituímos pela de outrem, pouco a pouco.


Os romanos, povo inteligente e conquistador, obrigavam a ferro e fogo que se falasse o latim, que esquecessem a língua nativa, a língua-pátria. Hoje a coerção do novo império não é menos sutil, porque o meio de tortura atual é o bolso, por isso você é obrigado a falar o idioma inglês, mesmo achando o francês mais bonito e o português mais rico e o italiano mais amoroso e espanhol mais cálido. O inglês é uma língua sonora e bela também, mas não gosto que me obriguem a nada.

O acadêmico escreve como escrevesse uma bula de remédio, e receia escrever com paixão, aquele abismo que teme e rejeita com frieza para se saber mais inteligente. Balela! Poor papa, poor papa.


Quando estive num seminário internacional de literatura, Marina Colasanti, escritora premiada e jornalista italo-brasileira, que era uma das conferencistas na ocasião, nos disse que em seus livros infantis lança aqui e ali palavras mais ricas porque não subestima as crianças.

Acredito que nem todo leitor seja burro. Pelo menos não o meu leitor. Não subestimo as crianças nem ninguém, pois mesmo aquele que não sabe, quando curioso e audaz, vai à busca da verdade e aprende. Não se conforma com a própria estupidez.
Este é o meu leitor. Este é o leitor que procuro; o leitor que respeite meu retrato literário. E é para ele, em grande tela, que deixo pintada a arte imortal e bela, e, ao mesmo tempo, um país melhor.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um conto
Dor no estomago
[ATUALIZADO]
Inspirado na anedota da cobra e do pescador, e baseado em uma história real (a minha).

Por Kizzy Ysatis

Dor no estomago!

Papai me disse, Vá ao médico e vê o que há.

O médico disse, É o estomago.

Disso eu sei, é lá que dói. Oras, eu lhe pago pra me dizer o que já sei?

Acalme-se. Sua cólera é natural. A dor o irrita.

Cólera? Não disse que era o estomago?

Não, estou falando da raiva.

Raiva? Raiva como? Se nenhum cachorro me mordeu. O senhor está me enrolando. Diga logo o que tenho.

Dor no estomago.

Mas disso eu já sei! Não quero saber de enrolação, doutor. Papai me diz que língua não constrói. Qual é a solução?

Você tem bebido muito; e fuma também. Vai ter de maneirar, senão piora.

É só isso, doutor?

Só. Ta feliz?

Ah,... Tô, né? Até mais ver, doutor. Muito obrigado.

Papai me disse, Ei, aonde vai, filho?

Vou sair com a turma, o senhor sabe.

Tá, mas quero saber do quê falou o médico. Foi ao médico, não foi?

Fui.

E então, o que ele disse.

Disse que é sem jeito. Vou morrer do estomago.

São Paulo, 21 de abril de 2009