
Balmoral: elegantes charutos caribenhos fabricados na Republica Dominicana desde 1895. Um sabor delicado que sugere madeira, noz e café. Hechos a mano. Selo de garantia na caixa lacrada.
Os puros pertenciam a um velho que colecionava coisas caras e de bom gosto, mas ele mesmo não as usufruía. As mantinha para exibir status. Avarento, nunca ajudou ninguém: nem parente ou estranhos. Nenhum desses jovens artistas emergentes que sempre penam pela falta de dinheiro. Pobres poetas, escritores, atores. Pintores pobres.
Um casal caminhava à noite quando foi abordado pelo vendedor desesperado por outra pedra de crack. “Comprem que a mercadoria é legítima”. O casal vinha do trabalho. Moravam juntos. Um deles era proprietário de salão de beleza. O outro, seu funcionário, disse: “Olha isso. Lembrei do teu primo. Acho que vou comprar para ele”. “Cinco pilas e é teu”. “Toma! Se tivesse mais quinze, comprava esse dourado rolex”.
O velho sofreu amaldiçoada vendeta de um artista fracassado. Caiu sem direito à voz de atenuante outorgada, vítima da sociedade suja que ajudou a criar. Um garoto doente pelo vício, filho de um daqueles jovens que outrora bateram na porta do velho, invadiu o faustoso apartamento e o assassinou à pancadas. Golpes ferozes na cabeça com pesado cinzeiro de vidro.
Não se discute moral neste texto. Tampouco quem tinha direito ou quem foi politicamente incorreto. É apenas uma história e histórias devem ser contadas. Esta se sabe fictícia; não se diz real ou quiçá narrada pelo fantasma do injusto velho injustiçado, num relato sobrenatural. O fato é que ela me veio desenhada na fumaça, enquanto fumava no alto da escada, em meu quintal, entretido com o saboroso – Balmoral.
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Kizzy Ysatis
São Paulo, 08 de abril de 2008 – 01h43 am





