Estou de passagem neste mundo,

Mas deixo aqui o registro de minhas palavras.

Eu sou o peregrino do tempo.


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Qual segredo une o anjo, o templário e o vampiro?
A TRÍADE

Em 2005, Carlos Augusto Baptista Andrade sonhou com três personagens: um anjo, um templário e um vampiro, cujas tramas são distintas e jamais se imaginou interagirem entre si. Pensou um livro e para tal empresa convidou Claudio Brites e eu. Carlos desenvolveu o personagem anjo, Brites o templário e eu o vampiro; acabou que um palpitou no outro e a coisa se tornou una e próspera.

Enquanto fazíamos uma pesquisa exaustiva, escrevíamos o livro e o divulgávamos com um Zine-trailer ilustrado. Espalhamos por eventos dos mais diversos tipos. As pessoas ficaram na expectativa, mas deixamos a obra inacabada e nossas outras ocupações nos levaram a recolher o manuscrito à gaveta.

Tramamos até um RPG do livro, está lá no zine. Teve uns espertos que aproveitaram a idéia, mas hoje isso não me assusta mais. Não tenho medo de falar dos meus projetos por medo de plágio, se ficar melhor, palma para os larápios, mas garanto que o xérox jamais será o original. Falei da imitação barata ao meu amigo e antigo mestre, Octavio Cariello, e ele me disse: "Não tema, Kizzy. Numa corrida ou caçada, aos menos capazes concede-se uma bela dianteira; só a eles acomete a ideia do que temer. aos mais capazes, tudo acontece com euforia e prazer."

Desde então voltávamos ao projeto para novas retocadas, mas as vozes dos três autores eram díspares e se chocavam. Foi aí que tivemos a brilhante idéia de chamar Octavio Cariello para a árdua tarefa de reescrever a história com uma voz única. Nenhuma outra pessoa poderia ser melhor para o feito.

Precisávamos alguém que soubesse escrever, tivesse enorme talento, repertório profundo, alma de pesquisador, inteligência e sensibilidades refinadas. Cariello tem tudo isso e muito mais. Há vários anos é professor de roteiro; a vida toda criou histórias em quadrinhos, a nona arte; é acadêmico de letras, escritor profissional, poliglota e já esteve na maioria dos lugares da Europa onde ocorre a trama. Teologia e Idade Média são suas amantes devassas e particularmente entende muito bem de vampiros, afinal, como muita gente já sabe, adaptou para as HQs, a obra máxima de Anne Rice, As Crônicas Vampirescas para a editora americana Innovation comics. E as adaptações em quadrinhos da obra do magnífico mestre do terror, H. P. LOVECRAFT.
Quem não conhece a narrativa dinâmica e competente de Cariello, que leia o último conto de O Livro Negro dos Vampiros. É ouro que fecha aquele livro, mas aquilo é uma sutil amostra. Seu conto Um Conto de Vampiro foi o único conto que não precisou revisar naquele livro. É um maestro das letras em erupção.

Além de diluir nossos textos numa única narrativa, num vaivém que adoro fazer em meus livros, ele elaborou seu próprio personagem (porque cada autor criou um) e fez dele o narrador principal. Também está tapando os buraquinhos.

Ontem ele nos entregou o manuscrito e disse que era um esboço porque iria reescrever (coisa que autor dedicado gosta de fazer, coisa que Lygia, Murilo Rubião e outros peixões não escondem que fazem). Li e lágrimas se desprenderam de meus olhos incontidos. Se aquilo é um esboço, mal posso esperar pelo acabamento.

É isso aí, minha gente, enquanto reviso A Morta Vaidosa e seleciono contos para o Território V, aguardo Cariello terminar de costurar nossa colcha de retalhos, nosso patchwork, aguardo colar nosso mosaico à oito mãos, ao mesmo tempo em que acrescenta seu dedo experiente, dedo não, uma mão inteira.

Cariello tem a experiência ao seu favor, depois de anos escrevendo e desenhando HQ, e escrevendo maravilhosos romances que nunca tirou da gaveta. Agora vem à tona e me orgulho do trabalho em pareceria que tem a vantagem do aprender e misturar idéias. É um casamento. Como foi para mim (com todo o respeito) a fantástica experiência que passei co-escrevendo em A Morta Vaidosa, livro este em vias de publicação que criei e escrevi junto com minha mestra atual, Flávia Muniz.

Então se preparem, queridos amigos, fãs e leitores, parece que neste ano teremos três publicações esmeradas para presenteá-los.
Por final, e não menos importante, a capa de A Tríade, um espetáculo à parte que Octavio Cariello executou assim tão artisticamente como fez com a capa do Território V.

6 comentários:

Claudio Brites disse...

*suspiros*

Jéssica Ketchup disse...

Nossa, você atiçou muito minha curiosidade, e a capa de A Tríade tá muita linda, adorei as cores :)
bjs

Carlos Andrade disse...

Às vezes, não entendemos como nossos sonhos nos transportam a tantos lugares. Sem dúvida, encontrar 04 amigos que sonhem juntos o meu sonho é uma experiência incomparável. Vamos adiante, mostrando que sonhos se executam com muito trabalho, carinho, amor e sobretudo persistência. Principalmente, quando amigos verdadeiros entrelaçam suas almas no projeto.
abração, Carlos Andrade

Eric disse...

Que tamanho de letra foi esse, rapaz? :)

Kizzy Ysatis disse...

Zed

*suspiros* [2]
...........

Jéssica

Em breve a curiosidade será sanada. E sim, a capa é uma belezura.
.......

Carlos

É uma honra e um prazer sonhar junto com você.
..........

Eric

Tamanho de letra? Não saquei. Tô boiando.

Eric disse...

O post ficou com uma letra giga.