Era de tarde quando uma brisa chegou ao meu quarto.
O ar me preencheu suavemente.
Um alento, um ânimo, um frescor.
O ar me inundou.
Sinceramente não esperava esse agrado.
Não esperava agrado algum.
Que delícia.
Oh! respirei novamente.
Devagarinho, fui envolvendo os pulmões nessa carícia;
Sensações flanaram assim contentes,
nesse tom, nesse aroma fresco da infância.
É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.
A felicidade às vezes visita sem dar aviso ou motivo, e, ainda que seja assim raríssima, é bem-vinda. Ô se é. É tão bom que dá até medo, até desconfio. Já disse, é raríssima! Mas se ela me diz que está tudo bem... Eu acredito.
Diz que tudo voltará a ficar bem como um dia foi lá longe.
Mente um pouquinho como nossa mãe mentia.
O importante é ficar bem, cessar o choro.
É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.
Que dia foi esse, meu Deus, que passou e me visitou?
Será que fui eu criança que me guardei esse presente?
Será? Será que aquele menino bobo, sempre repartindo com todos,
também repartiu comigo?
Aquele menino danado, aquele menino feliz.
Enternecido, lembrou-se de mim, lembrou desse homem triste.
Ai que onda. Que memória forte.
Onda nascida dessa...
Nascida dessa coisa boa que não sei bem o que é.
Que não sei explicar. É leveza, é alívio.
É um peso que me livro nesse respirar gostoso.
Faz tempo que não experimentava isso...
Não esperava, sinceramente não esperava.
É bom, é puro. Faz bem.
O tempo pára.
E nesse respiro, nesse frescor, eu fico calmo.
De repente bate a sensação de estar na praia.
É o mar que reclama seu filho assim prontamente.
Vem pra casa, filho. Quem foi que te judiou tanto?
Ah, queria mesmo voltar pro seu colo, pro seu ventre...
Mas não posso. Não posso voltar.
Devo seguir e sei que falta.
Ô se falta.
Nada voltará a ser como um dia foi lá longe.
Porém há o ar.
É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.
(Kizzy Ysatis - São Paulo, 08 de janeiro de 2009)

8 comentários:
Realmente, a paz que vem como consequência desse sentimento de felicidade repentina é muito tranquilizadora. Momentos assim raros são os que mais marcam a gente.
Obrigado, Mariana
Mal acabei de postar e fiquei feliz de já ter uma resposta instantânea, como se vc já estivesse por aqui. sinta-se em casa.
bjs
O blog é minha homepage. Toda vez que entro dou uma conferida nas novidades. Agradeço a hospitalidade.
Bjs
To adorando as fotos q vc posta no layout do blog.
Parece um introdução da foto e do seu post, mto legal.
Lendo o que você escreveu me lembrei de momentos assim, q tive semelhantes sensações. é bom...
bjs
Qué poema tan lindo y la foto del mar es preciosa...
Kizzy!
Como está?
E David Coperfield, é finito?
Lembra-se de mim?
Estou passando pra te desejar um ótimo ano, repleto de luz e sucesso!!!
Aproveito pra dizer que coloquei teu blog na lista de blogs to meu blog.
Ainda não muita coisa nem a cara que eu quero que ele tenha, mas vou ajustando...
E gostaria muito de tua visita!
Beijos!
Querido amoreco!
Esse é lindo, li lá no teu orkut!!
Esses momentos são os melhores e os piores!
Beijos
By Lizy Tequila
Mariana
Você é de casa.
bjs
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Jéssica
Não tinha reparado nisso. é uma coisa tão cotidiana, uma das poucas coisas que não faço sem pensar muito, rs.
bjs
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Marta sirena
Ya lo sabia que te ibas gustar, estava te probando, jajajajaja. A nosostros nos gustan las mismas cosas, a lo mejor sea por eso que me gusta tanto a ti mi amiga galega.
besos a ti y a nuestra maravillosa tierra celta da galicia.
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Luara
Seja bem-vinda
David Coperfield foi uma viagem. durará para sempre na memória. Dickens é saboroso.
ótimo ano pra vc também.
aguarde minha visita.
beijos
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Sim, Lizy
São os melhores e os piores também. De certa forma você disse tudo.
beijos
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