Estou de passagem neste mundo,

Mas deixo aqui o registro de minhas palavras.

Eu sou o peregrino do tempo.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Alívio Cômico


Minha irmã me mandou essa e eu não conhecia. criativo quem escreveu.
.................................
Um pra mim, um procê....
Em uma cidadezinha do interior havia uma figueira carregada dentro do cemitério. Dois amigos decidiram entrar lá à noite (quando não havia vigilância) e pegar todos os figos.Eles pretendiam fazer doce de figo e vender, ganhando boa grana. Pularam o muro, subiram na árvore com sacolas penduradas no ombro e começaram a dividir o'prêmio'.
- Um pra mim, um pra você.
- Um pra mim, um pra você.
- Pô, você deixou dois grandes caírem do lado de lá do muro!
- Não faz mal, depois que a gente terminar aqui pegamos eles.
- Então tá bom, mais um pra mim, um pra você.
Um bêbado, passando do lado de fora do cemitério, escutou esse negócio de'um pra mim e um pra você' e saiu correndo para a delegacia. Chegando lá, virou para o policial:
- Seu guarda, vem comigo! Deus e o diabo estão no cemitério dividindo as almas dos mortos!
- Ah, cala a boca bêbado.
- Juro que é verdade, vem comigo.
Tanto insistiu, que os dois foram até o cemitério; chegaram perto do muro e começaram a escutar...
- Um para mim, um para você.
O guarda assustado:
- É verdade! É o dia do apocalipse! Eles estão dividindo as almas dos mortos! O que será que vem depois?
- Um para mim, um para você. Pronto, acabamos aqui. E agora?
- Agora a gente vai lá fora e pega os dois que estão do outro lado do muro...

-Cooooorreeeee!!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

kizzy ysatis

Duas faces da mesma moeda

Uma resposta a quem que quando cobra meus “atrasos” literários, quando cobra minha demora pra terminar um livro, tem por péssima mania querer me ofender dizendo que não sou profissional. Olha, não são atrasos, é artesanato, é o fazer bem, sem pressa, fazer bem feito, leve quanto tempo for preciso para me satisfazer, para dizer, ei-lo "acabado".

Profissional... Ah, quer saber, não sou mesmo, digo-lhe logo de cara, em resposta as chibatas que não ajudam, encolhem meu criar como aqueles que apressam o nascer da borboleta do casulo, acabam por matá-la.

O profissional é profissional porque tem profissão, e profissão é trabalho; e trabalho é chato, oui, mui chato. E eu escrevo por diversão. O divertimento é mais gostoso, se faz por querer e não por dever. E no querer se faz com gosto; e com gosto sai melhor. Oui, bem melhor. Assim a imaginação desabrocha fácil. Fácil como imaginação de criança. Do outro jeito, do modo profissional, do jeitim adulto, só há o blackout. Sai forçado, artificial como adulto brincando amarelinha.

Mudando de assunto.

Já ouvi dizeres (ou li) que minha escrita se esforça pra ser rebuscada, e isso é ledo engano. As palavras me escolhem por musicalidade, chegam despreocupadas se causarão estranhamento ao leitor. Elas nem sabem que os leitores as espionam. Já disse e repito, não é a língua que tem de se curvar à nação ignorante, mas esta é quem deve fazer por merecê-la. Nado contra a vertente. Mas se meu estilo é assim tão difícil como rezam as línguas, como explicar que meus leitores sejam tão jovens, seja de idade ou espírito? Não estaria então, meu estilo, destinado a uma nova fração de leitores cansados de livros fabricados?

Kizzy Ysatis
Santos, 28 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009



Um pequeno trecho de CLUBE DOS IMORTAIS - A Nova Quimera dos Vampiros

– O quê que é isso, noite do Oscar? – murmurou Miguel, boquiaberto.

Eis que um homem esguio e altíssimo esgueirou-se por de trás de Marta e Selma qual sombra taciturna, atraindo-lhes a atenção com suave e agradável perfume. Trajava o mais glorioso sobretudo que já haviam visto. Se é que aquilo poderia ser chamado de sobretudo. Estava mais para uma versão dark da rainha Elizabete. Um exagero de gola de pele, recortes caprichosos e fartos detalhes com inúmeros botões prateados e trabalhados. Um traje medonho. Parecia haver muito veludo preto empregado nele e diria que aberto formariam asas espetaculares. Muitos se levantaram para vê-lo passar de cabeça erguida, fumando longa e luxuosa piteira sustentada entre seus dedos do meio com inegável charme.

– É ele! Só pode ser ele – balbuciou Claudio igualmente pasmo. – É como Luciano falou que se parecia. E do jeito que Zed falou que se mexia.

Passou direto e ninguém pôde ver seu rosto ao certo, notaram apenas que era muito branco. Provavelmente uma maquiagem de alto padrão. O rosto estava semi-oculto por grandes e vistosos óculos em dégradé marrom. No entanto, seu cabelo fora o detalhe mais admirado. Muito comprido e negro; dotado de cachos que de tão perfeitos só podiam ser artificiais. Ele seguiu em direção às escadas. Geralmente, os góticos costumam ser discretos, ainda que algo lhes chamem muito as atenções, não costumam demonstrar. A exceção ficou clara quando certo número de pessoas se aglomerou nas janelas para tentar ver quem era a exuberantemente figura que, tão divinamente, descia as escadas externas. Esse pequeno tumulto estava longe de ser o último daquela noite. Destacava-se entre o comentário geral, a voz de uma gótica entorpecida que dizia à namorada:

– É ele, Carmilla, é ele. Ele voltou.

–Tenho certeza que vai escolher alguém pra levar com ele pras suas raves secretas. Ninguém vai botar fé em mim de novo quando eu contar. Vamos lá, Mary. Acho que ele foi pra pista.

E como muitos outros, Miguel, Marta, Selma e Cláudio, desceram ao inferno.

Poderosas caixas de som reverberavam um som perfeitamente equalizado. Um teto mais baixo e opressor. Paredes completamente pretas ajudavam a absorver a já pouca luz e os convidados para um infinito de possibilidades. Esta era a pista de dança do Madame Satã: um escuro porão sustentado por arcadas de tijolos e grossas pilastras, cuja atmosfera era, ao mesmo tempo, pesada e libertadora.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Leia a resenha sobre o Diário da Sibila Rubra
escrita por Cadorno Teles no site Homem Nerd
(clique na imagem para ler a resenha)



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma trégua na desolação ©

Era de tarde quando uma brisa chegou ao meu quarto.
O ar me preencheu suavemente.
Um alento, um ânimo, um frescor.
O ar me inundou.
Sinceramente não esperava esse agrado.
Não esperava agrado algum.
Que delícia.
Oh! respirei novamente.
Devagarinho, fui envolvendo os pulmões nessa carícia;
Sensações flanaram assim contentes,
nesse tom, nesse aroma fresco da infância.

É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.

A felicidade às vezes visita sem dar aviso ou motivo, e, ainda que seja assim raríssima, é bem-vinda. Ô se é. É tão bom que dá até medo, até desconfio. Já disse, é raríssima! Mas se ela me diz que está tudo bem... Eu acredito.
Diz que tudo voltará a ficar bem como um dia foi lá longe.
Mente um pouquinho como nossa mãe mentia.
O importante é ficar bem, cessar o choro.

É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.
Que dia foi esse, meu Deus, que passou e me visitou?
Será que fui eu criança que me guardei esse presente?
Será? Será que aquele menino bobo, sempre repartindo com todos,
também repartiu comigo?
Aquele menino danado, aquele menino feliz.
Enternecido, lembrou-se de mim, lembrou desse homem triste.

Ai que onda. Que memória forte.
Onda nascida dessa...
Nascida dessa coisa boa que não sei bem o que é.
Que não sei explicar. É leveza, é alívio.
É um peso que me livro nesse respirar gostoso.
Faz tempo que não experimentava isso...
Não esperava, sinceramente não esperava.
É bom, é puro. Faz bem.

O tempo pára.
E nesse respiro, nesse frescor, eu fico calmo.
De repente bate a sensação de estar na praia.
É o mar que reclama seu filho assim prontamente.
Vem pra casa, filho. Quem foi que te judiou tanto?
Ah, queria mesmo voltar pro seu colo, pro seu ventre...
Mas não posso. Não posso voltar.
Devo seguir e sei que falta.
Ô se falta.

Nada voltará a ser como um dia foi lá longe.

Porém há o ar.

É uma onda de ar que não foi embora.
Não quero que vá. Não vai não.
Ficaria a tarde toda. E ficou mesmo.
Ai que onda. Que memória forte.

(Kizzy Ysatis - São Paulo, 08 de janeiro de 2009)


sábado, 27 de dezembro de 2008


Existem duas formas de se lidar com as pessoas. Uma é bajulando, a outra é sendo franco. Na maioria dos casos, a bajulação tem maior êxito porque conquista a simpatia de imediato. Não é o mesmo caso da franqueza. O franco gera antipatia e costuma ser mal-interpretado, torna-se o vilão e quase sempre é rechaçado de seu grupo social. Contudo, com o passar do tempo, o bajulador começa a magoar porque são poucos os que conseguem mentir o tempo todo, nesse caso, o franco ganha ponto, porque, no decorrer da jornada, a maioria se acostuma e já sabe o que esperar. Sem surpresas negativas, não há mágoa. O ato de bajular é utilizado por aqueles que têm interesse latente no alvo, seja amoroso ou financeiro. Eu optei pela franqueza. As reações sintomáticas provêm do inconsciente. O ser humano é meu objeto de estudo.


Kizzy Ysatis

São Paulo, 21 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

Kizzy Ysatis
Marilene e eu na festa da loja Profecias, noite 29 de novembro

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CONVIDO A TODOS! QUERO VER VOCÊS LÁ!
CONTEMPLAREMOS O PRIMEIRO LANÇAMENTO
QUADRINHOS É PRA GENTE INTELIGENTE!
UM COMIC BOOK DE PRIMEIRA GRANDEZA
COM ENSAIO, DESENHO BOM E PAPO CABEÇA

domingo, 14 de dezembro de 2008

Thaissa (sorriso de leitora é o sorriso do autor)
Um Trecho do Diário da Sibila Rubra.
Na narrativa abaixo, a matriarca das sibilas rubras enfrenta um vampiro.


De volta de suas lembranças, Vivian sentia a gelada brisa noturna com um alívio à própria soledade, pois no coração pungia a nostalgia de um futuro esquecido. De olhos fechados ela sorria, e ao abri-los descobriu-se de volta à atmosfera cemiterial. Bartolomeu precisava saber onde cavar.

— Quáli, minha sinhá? Dize quáli campa tá o vumpiro pra mó de nós cavá.
— Cavai a campa do falecido Antônio.
— Mági esse é o falicido esposo de sinhá Ana.
— Exatamente.

Os primeiros minutos foram angustiantes. O ar estava pesado, o frio era de cortar a alma, aquela escuridão engolidora e a constante sensação de desconforto e perigo: estigmas do medo. Bartô reclamou. Por que não deixar para fazer aquilo de dia, mas a mãe respondeu severa: “Porque não é coisa que se faça. Pode gerar controvérsia. É melhor que ninguém saiba”.

O Morro do Ribeirão erguia-se imponente aos céus catarinenses. Era uma sombra majestosa e gigantesca, tão ameaçadoramente escura quanto calada. Como o resto do mundo. Só o barulho da pá e da enxada fazia-se ouvir na terra molhada... O menor ruído poderia ser detectado pelos ouvidos atentos da matriarca; qualquer movimento, por mais furtivo que fosse, seria denunciado por olhos injetados de atenção e medo. Queria terminar logo e ir embora, relaxar na poltrona diante do calor da lareira, e então dormir. Mas demorava... Demorou. Até que finalmente atingiram a madeira do caixão. Vivian mandou remover a tampa.

— Tá bem pregada, sinhá.
— Quebrem-na.
— Mas, mãe, se seu Antônio estiver aí, ele não vai pular na nossa garganta?
— Provavelmente.

Thomas fi cou chocado com a frieza de sua mãe.

— Levanta a inxada, seu Thomas, pra mó de acertá o bicho se ele avança em nós. Eu vô quebrá a tampa c’a pá. Mági munto cuidado, pra mó de num me acertá c’o a inxada.
— Pode deixar, Bartô.

Ele bateu até quebrar. A face distorcida da morte apareceu para eles em avançado estado de decomposição. Um cheiro detestável desprendeu- se do cadáver do colono açoriense provocando geral repugnância. O fedor praticamente os empurrou para trás. Bartolomeu soltou um jato de vômito. Eles urravam e tossiam enquanto tentavam desesperadamente sair do buraco. Arrastaram-se para fora da cova, não muito funda, engatinhando-se, e enfim sentaram com as faces retorcidas pelo asco indescritível e sem conseguirem tirar as mãos da boca.

— Mãe?

Thomas não a viu. Estavam sozinhos. A matriarca sumira. Levantaram- se e olham por todos os lados.

— ALI! — gritou Bartô, mais pelo susto do que pelo alerta, apontando para o fundo da igreja. — Vi um vurto! Uma coisa se mexeno no iscuro.

Armaram-se com a pá e a enxada e foram na direção das sombras, margeando a parede da igreja até os fundos. Lá eles ouviram uma voz gutural falar com outra pessoa dentro da sacristia.

— Bebeeeeee...
— Não quero, Antônio.

Reconheceram a segunda voz como a de Vivian e se apavoraram. Thomas ia gritar, mas com gestos o capataz fez com que se calasse e, vagarosamente, espiaram pela porta. Havia um ser de costas para eles do outro lado da sacristia: de frente para a mesa onde a mãe se achava sentada. Ele estava nu entre as pernas dela numa posição de cópula, o que trouxe mais terror a Thomas. Mas o ser não a violava sexualmente, a saia do vestido não estava levantada. Ele a forçava a fazer outra coisa. Com a mão no rosto de Vivian, o ser tentava fazê-la beber da taça que Bartolomeu vira anteriormente na mesa. Ela desviava o olhar da criatura que tinha a cara muito próxima de si, seus olhos se fi xavam na direção da porta e por essa razão ela viu o filho e o empregado a tempo de acenar com a mão, por trás do vampiro, para acalmá-los. E depois, com o dedo, apontou para o armário. Cuidadosamente Bartolomeu entrou. Chocado, Thomas examinava a apavorante entidade que obsidiava sua mãe. O ser tinha a pele azulada e viscosa, chupada pelos ossos que pareciam saltar. Era corcunda. Completamente liso de pelos e cabelos. Orelhas pontiagudas e braços muito longos. Pelo corpo deslizava uma porção de bichos escuros de aspecto asqueroso. Enxergou morcegos grudados como aranhas, com unhas e dentes cravados na pele esbranquecida. Arrastavam-se pelo corpo como ratos: uns se desprendiam voando e outros apareciam pela porta para vir grudar nele, como fazem as abelhas. Thomas chorava encarando a mãe que retribuía as lágrimas. Aquele monstro com a garra encardida apertando o rosto dela forçando-a a engolir alguma nojeira que estava no cálice, mas ela não bebia, sequer olhava para o vampiro que insistia:

— Bebeeeeeeeeee...
— Não, Antônio... Eu não vou beber... Não quero... Por favor, não insista.

Bartolomeu tinha o armário aberto e não sabia para qual item a patroa apontava. Ele mostrou peça por peça até entender que ela deu um positivo quando ele mostrou o crucifixo. Então ela reagiu. Deu com a mão derrubando o cálice no chão, espalhando o conteúdo vermelho escuro. Thomas entrou gritando com a enxada em punhos e a desceu sobre a criatura que, num golpe poderoso e ligeiro, quebrou a enxada no cabo. Com outro extraordinário movimento, agarrou o rapaz para si e o lançou sobre a mesa, avançando para abocanhá-lo.

— PÁRA, ANTÔNIO! — a mãe deu o grito providente.

O vampiro interrompeu-se com as babas a pingar no rosto de Thomas, que se tremia todo. A criatura virou-se a ela com lentidão. E a sibila mostrou-lhe o crucifixo dizendo:

— Olha para Ele, Antônio. Como podes fazer isso com Ele? Olha para Ele, Antônio. Olha para Ele! Vês como chora por ti?

Um remorso desmedido se apoderou da criatura que não suportou olhar para a cruz. Antônio deu um guincho tão estridente que estilhaçou vitrais.

— Lembra-te de como gostavas Dele? Como tiveste coragem de trair a tua fé?

O grito agudo continuou. O morto-vivo ocultou a cara horrenda com as mãos na expressão da dor e, os morcegos, passaram a abandonar- lhe o corpo até não sobrar mais nada da criatura. A igreja ficou empesteada de morcegos. Todo mundo correu para fora no meio daquele farfalhar medonho. A Mãe Vermelha entregou o crucifixo na mão do filho.

— Pega, Thomas! Se ele aparecer, mostra isto.

E correu. Todos correram feito loucos. Debatendo-se com a pá na mão, Bartolomeu tentava desesperadamente sair daquela pavorosa nuvem de morcegos. Corria sem saber para onde, mas a mãe sabia exatamente aonde ia. Com a barra do vestido levantada, foi o mais rápido que pôde na direção da cova. Thomas correu atrás como se lhe desse cobertura, então ela puxou seu punhal de prata do bolso do vestido...

— SINHÁ, NÃO! — gritou Bartlomeu.

Mas ela não parou de correr até saltar no buraco erguendo o punhal em pleno vôo. Pronto! Os morcegos se desfizeram em areia preta. Thomas e Bartô, já estarrecidos, ficaram ainda mais espantados, e correram para a cova; e lá estava a matriarca agachada sobre o caixão, com as duas mãos no cabo do punhal enterrado no coração do cadáver putrefato de Antônio.